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Parvovirose em cachorro

Saiba quando suspeitar da parvovirose em cachorro, quais seus sintomas e tratamento.


Parvovirose canina

A parvovirose é uma das principais viroses e mais contagiosas que acomete cães jovens e adultos, sendo também conhecida como Enterire Canina Parvoviral. Esta enfermidade é mais comum entre os cães domésticos jovens, pois estes são menos resistentes devido à imunidade natural adquirida. Esta apresenta uma mortalidade alta, em especial em cachorros jovens e de raças puras ou animais debilitados por verminoses ou outras moléstias.

Vírus da parvovirose

Trata-se de uma doença infectocontagiosa causada por um vírus, o chamado parvovírus, de tamanho extremamente pequeno, dispõe de uma partícula infecciosa bastante resistente, a qual permanece estável em pH entre 3,0 e 9,0, e à inativação a temperatura de 56º C por 60 minutos e tratamentos com solventes orgânicos, podendo sobreviver no meio ambiente durante meses a anos.


Parvovirose canina ou Enterire Canina Parvoviral

A doença pode manifestar a doença através de suas formas clínicas: entérica ou miocárdica. A forma miocárdica é geralmente diagnosticada após a morte do animal (post-mortem), onde os animais morrem de maneira súbita sem apresentar nenhum sinal clínico. Contudo, há relatos da ação deste vírus em outras espécies, incluindo ratos, porcos, gado bovino e também o homem.

Autores tem sugeridos que devido a semelhança antigênica com o vírus da panleucopenia felina, o vírus da parvovirose canina seja um mutante da linhagem de campo do vírus dos gatos.  No ser humano, a parvovirose aparentemente se combina com outro adenovírus, promovendo infecções do trato respiratório superior e dos olhos (conjuntivite). Desta forma, a Enterite Canina Parvoviral é classificada como uma zoonose (doença que acomete animais e humanos), apesar de que no ser humano não há gravidade e consequência comumente apresentada em cães.
Parvovirose canina
No cachorro, a parvovirose se estabelece principalmente no aparelho digestivo, causando a princípio, elevação da temperatura que pode atingir altos índices (41°C), exceto em animais adultos, nos quais pode ocorrer a hipotermia. Neste período, chama-se a atenção pelo fato de que o animal apresenta-se mais sonolento e sem apetite, e vômitos irreprimíveis, além de tosse, inchaço dos olhos ou inflamação de córnea (conjuntivite), enterite (inflamação dos intestinos) em especial nas porções delgadas, e inflamação de fígado e seus anexos, que promove fezes de coloração esbranquiçada ou acinzentada, resultante da deficiência de bile na luz intestinal. Pode ocorrer também a inflamação do coração, principalmente em animais jovens, que resulta na morte repentina do animal devido à rápida evolução.


Transmissão do vírus

O vírus é transmitido pela eliminação fecal e a porta de entrada é a via oral, desta forma, as fezes contaminadas são a fonte primária de infecção da parvovirose canina, apesar de que o mesmo pode estar presente em outras secreções e excretas durante a fase aguda da doença. Acredita-se que a disseminação da doença ocorre mais comumente pela persistência do vírus no meio ambiente do que pelos portadores assintomáticos. A eliminação ativa do vírus nas fezes parece estar limitada nas primeiras duas semanas pós-inoculação (PI), no entanto, há evidências de que determinados animais podem eliminar o vírus periodicamente por mais de um ano.
Transmissão da Parvovirose em cachorro
Fatores predisponentes à moléstia grave são a idade, os fatores genéticos, estresse e infecções simultâneas com parasitas ou bactérias intestinais.  Geralmente, filhotes com menos de seis meses de idade apresentam uma necessidade maior de hospitalização, quando comparado com animais mais idosos. A parvovirose em cães tem maior incidência durante os meses quentes do ano.

Após a exposição oral, o vírus se localiza e infecta os linfonodos regionais da faringe e tonsilas. Em seguida, atingem a circulação sanguínea e invadem vários tecidos, como o baço, o timo, os linfonodos, os pulmões, a medula óssea (linfopenia), o miocárdio (miocardite) e finalmente o jejuno distal e o íleo, local onde ocorre a replicação. A multiplicação viral resulta na necrose das criptas do epitélio do intestino delgado, com eventual destruição das vilosidades. O parvovírus é isolado do conteúdo intestinal e fezes de cães afetados em ambas a formas da doença (entérica e a miocárdica).


Sinais clínicos da parvovirose em cachorro

Normalmente, a doença se apresenta como um episódio gastroentérico severo, sendo altamente contagioso e às vezes hemorrágico em filhotes (com mais de 3 semanas de idade). Na maioria dos casos, os animais sofrem desidratação rápida e podem morrer em 24 a 48 horas após o aparecimento dos sintomas. Os sinais clínicos da doença comumente aparecem de 2 a 4 dias após a infecção.

Durante o início da doença, dentro de 1 a 3 dias após a infecção, acontece uma profunda viremia antes do aparecimento da gastroenterite, e a temperatura do animal pode estar bem alta. Assim, a leucopenia migra para leucocitose rapidamente por conta de infecção secundária por bactérias, à medida que os sinais clínicos se tornam mais evidente. Dentre o 4° aos 10° dia após a infecção, chamada de fase clínica, são eliminadas grandes quantidades de vírus nas fezes, porém, a eliminação do vírus não ocorre por longo período, dura em média de 10 a 14 dias.
Fezes na Parvovirose em cachorro
A medida que a doença evolui, a temperatura geralmente volta ao normal, antes de se tornar subnormal, quando então o animal morre por choque. Durante a fase de recuperação, os sinais clínicos regridem rapidamente dentro de 5 a 10 dias depois de seu aparecimento. Os sinais clínicos mais comuns da parvovirose é febre, leucopenia, além de sintomas cardíacos nos filhotes anorexia, depressão, vômitos, pirexia, rápida desidratação, diarreia sanguinolenta, líquida e fétida e rápido emagrecimento.

A morte de animais severamente afetados é uma consequência da destruição extensa do epitélio intestinal, com consequente desidratação, além da possibilidade de choque endotóxico. Nessa fase chama a atenção o fato do animal se tornar sonolento e sem apetite, quando ocorrem também vômitos incoercíveis. Alguns animais apresentam também tosse nessa fase, além de inchaço dos olhos ou inflamação da córnea (conjuntivite).


Diagnóstico da parvovirose

O diagnóstico laboratorial do parvovírus canino pode ser realizado pela detecção do vírus nas fezes, vômitos ou em tecidos "post-mortem". O teste mais viável para o clínico particular é o teste ELISA por ser rápido e eficiente de custo acessível. O diagnóstico clínico da parvovirose é sugestivo, mas deve sempre ser diferenciado de gastroenterites bacterianas como a salmonelose e de outras gastroenterites virais como a cinomose. O tratamento recomendado para gastroenterite pelo parvovírus é de suporte.


Tratamento

Tratamento Parvovirose em cachorroOs principais objetivos do tratamento são restabelecer e manter o equilíbrio eletrolítico e minimizar a perda de líquidos nas primeiras 24 a 48 horas ou até cessarem os vômitos, deve-se suspender completamente a alimentação e ingestão de líquidos por via oral. Recomenda-se a aplicação de fluidoterapia, antieméticos, antibióticos e, em alguns casos, também é necessária a transfusão sanguínea. Em determinados casos, é recomendado vacinar filhotes com 45 dias de vida, quando estes não receberam o colostro e suas mães não tenham sido vacinadas anteriormente.

Ainda, durante o quadro clínico da doença, o animal infectado deve ser mantido isolado dos outros cães da casa, devendo-se evitar também a contaminação de jardins e lugares difíceis de serem desinfetados, os quais possam favorecer a persistência da partícula viral infectante.

Este texto não substitui uma consulta veterinária

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   Autor

Matéria desenvolvida pelo Médico Veterinário Maikon Celestino (CRMV-SP 36.797), formado pela Faculdade Sudoeste Paulista - FSP em 2015, que além de atuar na Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais, cria conteúdo virtual sobre o mundo PET.

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