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Sarna demodécica e escabiose em cães e gatos: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

Saiba como diagnosticar, tratar e principalmente, evitar a sarna, doença que acomete cães e gatos.


Sarna demodécica e escabiose em cães e gatos


A sarna, é basicamente um problema de pele causada por ácaros, que pode acometer diferentes espécies de animais, incluindo cães e gatos. Existem três tipos de ácaros que podem causar a sarna, sendo eles:
∙Demodex canis e cati: Causadores da sarna denominada de demodécica ou demodicose.
∙Sarcoptes scabei: Causador da sarna sarcóptica ou esbaciose, a qual pode acometer humanos, portanto, é uma zoonose.
∙Otodectes cynotis
                Comumente, os ácaros não possuem a capacidade de sobreviver por algumas semanas fora do hospedeiro (cão ou gato). Entretanto, como são bem específicos em relação aos hospedeiros que são parasitados, quando acontece infestações cruzadas, os parasitas não conseguem estabelecer no hospedeiro em que são adaptados, causando assim apenas uma dermatite transitória.


Sarna Demodex canis

Pertencente à ordem Actinedida, família Demodicidae e gênero Demodex, este é o artópode conhecido, os quais se alojam próximo aos folículos pilosos e glândulas sebáceas de mamíferos.
Determinadas ração são acometidas com maior frequência por este ácaro, incluindo tanto cães de pelo curto quanto cães de pelo longo, como Dorbeman, Basset Hound, Dachsund, Boxer, Beagle, Pit Bull, Bull Terrier, Dálmata, Pinscher, Pastor Alemão e Cocker Spainel.
Este tipo de sarna não é facilmente transmitido através do contato direto com o animal doente, ou seja, está relacionada com a predisposição genética (hereditariedade), onde o cão filhote herda da mãe ou pai portador da doença. Contudo, há alguns fatores que predispõem ao aparecimento da sarna demodécica, sendo eles principalmente imunossupressores, incluindo:
∙Alterações hormonais ao longo do estro em fêmeas;
∙Estresse (relaciona a mudança de ambiente ou alimentação, chega de um novo animal ao ambiente, e outros);
∙Drogas imunossupressoras (corticosteroides);
∙Doenças debilitantes;
∙Deficiência nutricional ou endoparasitoses;
∙E para com filhotes, pode ocorrer a transmissão por contato direto da mãe para com neonato lactantes durante os três primeiros dias de vida.
Cão com sarna demodécica                O ciclo de vida da serna demodex canis consiste na eliminação dos ovos pelas fêmeas próximo aos folículos pilosos e glândulas sebáceas, os quais eclodem geram larvas com seis patas. Estas larvas se desenvolvem em ninfas e passam a ter oito patas, que consequentemente de desenvolvem na forma adulta, que logo gerarão novos ovos.
                O desenvolvimento deste tipo de sarna pode estar relacionado com a função dos linfócitos T alterada (falha genética ou adquirida) ou pelo fato de que os ácaros produzem fator imunossupressor que suprime a resposta imune específica do corpo a eles.
                Os sinais clínicos podem ser apresentados através de diferentes formas, sendo elas:
∙Forma localizada: Geralmente acomete comissuras labiais, face, região periocular e patas dianteiras, com vermelhidão, alopecia parcial, presença ou não de caspas e hiperpigmentação. É mais comum em cães e gatos com idade de 3 a 6 meses, e na maioria dos casos ocorre cura espontânea em aproximadamente 6 a 8 meses.
∙Forma generalizada: Geralmente acomete cabeça e tronco, regiões que apresentam lesões maiores e com manchas, vermelhidão, descamação com crostas e tamponamento folicular. Em casos mais severos, pode ocorrer piodermatite profunda com exsudação e lesões hemorrágicas.
∙Forma de pododemodicose: Acomete patas sem que haja lesões generalizadas, com tumefação, complicação por piodermatites e cistos digitais que ulceram e drenam formando crostas hemorrágicas.
                O diagnóstico da sarna demodécica é feito com a raspagem cutânea e exame parasitológico do material colhido em microscópio. A raspagem de pele deve ser realizada no sentido dos pelos até que seja observado o sangramento e durante a raspagem é ideal comprimir a pele com a intenção de expulsar os ácaros dos folículos. Ainda, deve-se realizar o raspado em 3 a 6 regiões diferentes.
     
Gato com sarna demodécica
        O tratamento da demodicose não é 100%, por este motivo, deve-se realizar alguns controles para evitar o seu reaparecimento, como evitar o uso de corticosteroides, afastar causas de imunodepressão, animais acometidos devem ser castrados para evitar a sua reprodução. Contudo, o seu tratamento deve ser realizado com a administração de Amitraz aplicado sobre forma de banhos semanais (1mL de Amitraz/ 4litros de água), além de tosa do animal e banho prévio com xampu queratolítico e antibacteriano.
                Associar também a adinistração de ivermectina com dose de (0,3 a 0,6 mg/kg/dia) durante 60 dia, terapia tópica adjuvante com banhos com xampu a base de peróxido de bezoíla ou clorexidine, e terapia antibiótica, como cefalexina, enrofloxacina por 4 a 8 semanas. A duração do tratamento é longa, podendo perdurar por até meses, sendo que é cessado após 3 raspados negativos.


Sarna Sarcoptes Scabei

Pertencente à ordem Acarina, família Sarcoptidae e gênero Sarcoptes, este parasita acomete tanto animais quanto o homem, o qual se aloja abaixo da pele através da formação de galerias. O local preferencial para a formação de galerias são áreas de pelagem mais esparsa, como focinho, orelhas, pescoço e cabeça, o que leva a coceira (que pode levar a hemorragias, escoriações e infecções secundárias), espessamento da pele, perda de pelos (alopecia) e aumento da descamação da pele. Já este tipo de sarna não possui predisposição racial, por idade ou sexo.
Gato com sarna escabioseContudo, é facilmente transmissível e muito contagiosa, ou seja, pode ser transmitida através do contato físico entre animais de diferentes idades, ambiente e objetos. Entretanto, há fatores que podem estar relacionados com a transmissão da sarna sarcoptes scabei, como condição climática, imunodepressão, tipo de criação e, padrão sócio-economico e cultural dos proprietários.
                O clico de vida da sarna sarcoptes scabei se inicia com a liberação de ovos pelas fêmeas adultas, que em 2 a 3 dias se transformam em larvas. Após 3 a 4 dias, estas larvas se desenvolvem em ninfas, que em 4 a 7 dias se tornam adultas. Somente após 1 a 2 meses que as fêmeas adultas atingem o estrato córneo da pele, onde liberam ovos e criam galerias.
                Como sinais clínicos, este tipo de sarna tem predileção por porções ventrais do abdômen, face, tórax e pernas. A sarcoptes scabei dissemina-se de forma rápida, mas em geral, o dorso é poupado, assim o animal apresenta hiperemia, alopecia, presença de crostas.

Cão com sarna escabiose
              O diagnóstico da sarna escabiose consiste na raspagem da pele profunda e exame parasitológico do material colhido em microscópio. Contudo, é importante ressaltar que a raspagem da pele pode não diagnosticar o parasita, sendo necessário assim, a realização do exame histopatológico da pele.
                O seu tratamento consiste na remoção das crostas, isolamento dos animais infectados, higienizar o ambiente em que o animal vive com acaricida, proteger objetos e pessoas ao manipular o animal contaminado. Administrar Amitraz aplicado em forma de banhos semanais (10mL de Amitraz/ 5 litros de água), sendo que não se deve remover o produto, deixar o animal secar ao abrigo do sol. E sua aplicação é única, contudo, deve repetir após 7 a 10 dias, caso o raspado de pele for positivo. Ainda, deve-se realizar terapia tópica adjuvante com banhos com xampus a base de peróxido de bezoíla uma vez por semana durante cinco semanas, e terapia antibiótica por 21 dias para combater infecções secundárias.

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   Autor

Matéria desenvolvida pelo Médico Veterinário Maikon Celestino (CRMV-SP 36.797), formado pela Faculdade Sudoeste Paulista - FSP em 2015, que além de atuar na Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais, cria conteúdo virtual sobre o mundo PET.

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